Entretanto, meditar sentado não é, como muitas vezes se supõe, um "exercício" espiritual através do qual se alcança certos resultados. Sentar em zazen já é a própria Iluminação.
Trata-se da maneira mais correta de se sentar de modo a sentirmos-nos perfeitamente naturais enquanto na postura, enquanto "sem mais nada para fazer", desde que o indivíduo não esteja consumido pela agitação nervosa. Para o temperamento irrequieto do Ocidental, meditar sentado pode parecer uma desagradável disciplina, pois não nos sentimos capazes de nos sentarmos "só por nos sentarmos", sem abandonarmos a consciência, sem sentirmos que devíamos estar a fazer algo mais importante para justificar a nossa existência. A fim de aplacar esta consciência irrequieta, meditar sentado pode tornar-se um exercício, uma disciplina com um objetivo ulterior. Contudo, a partir desse preciso momento essa prática deixa de ser meditação no sentido do Zen, porque onde há propósito há também um procurar e tentar alcançar resultados, o que obviamente é um processo de reforço do ego (que procura e alcança).
“Estudar budismo é estudar a si mesmo;
Estudar a si mesmo é esquecer de si mesmo;
Esquecer de si mesmo é estar unificado e em paz com tudo o que existe.”
Mestre Dogen
Deveria ser óbvio para todos que ação sem sabedoria, sem uma clara visão do mundo, "tal como ele é", jamais poderá melhorar seja o que for. Mais ainda, tal como a melhor maneira de tornar límpida a água lamacenta é deixá-la repousar, poderíamos argumentar que aqueles que se sentam calmamente "nada fazendo" estão a dar uma das melhores contribuições possíveis para melhorar um mundo de desordem. O zazen não é, pois, estar com uma mente vazia que rejeita todas as impressões dos sentidos externos e internos. É simplesmente uma profunda atenção calma, sem comentários, ao que quer que aconteça aqui e agora.
A técnica do zazen deve ser apreendida, preferencialmente, sob a orientação de um professor qualificado ou de um praticante experiente. A prática do zazen em um grupo, na forma de encontros regulares, é um dos pilares da experiência do zen, é o combustível que vai alimentar a prática individual diária e corrigir as possíveis distorções que uma prática solitária pode ocasionar.
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